quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O sonho acabou.

Quando tinha 12 anos, eu decidi que seria psicóloga.
Ao longo dos anos eu via todos os meus amigos mudarem de idéia, alguns escolherem carreiras nomes bonitos, como engenharia civil, ou escolherem profissões consagradas, como medicina e direito, só pra depois mudar de idéia e resolver fazer publicidade e propaganda. De todos eles só havia eu, ali, singular, sem balançar no meu objetivo.
Eu seria psicóloga. Definitivamente.
A cada ano que passava, eu desenvovia um amor pela profissão, mesmo sem nunca a ter exercido. Eu não queria ser webdesigner, como sugeria minha família, eu não queria ser escritora, comosugeriam meus professores. Psicologia era a minha carreira, e eu tinha absoluta certeza de que essa era a única profissão que me faria feliz.
Até que chegou o vestibular. No dia 28 de novembro, às 13 horas, eu estava sentada em uma mesa confortável, no prédio da Politécnica Civil, na cidade universitária, USP. A minha volta eu via várias pessoas tentando se acalmar, muita gente correndo e falando do lado de fora, várias pessoas respirando fundo e mexendo as pernas e mãos impacientemente. De repente, silêncio. E, quando me dei conta, eu estava já haviam quase duas horas sentada na mesma cadeira, respondendo várias questões e me dando conta de que a quantidade de chutes que eu já havia dado era preocupante.
Eu não ia passar.
No fundo, eu sabia disso desde o começo do ano. Eu não tinha feito cursinho, eu estava terminando o terceiro ano e eu não estudei como deveria. Não porque queria usar o computador, não porquê tive preguiça, não porque não tive tempo. Tente estudar à tarde, chegar em casa às 18h30, sentar em sua cama, pegar os livros e tentar se concentrar com o barulho de gritos e televisão alta. Oh, você com certeza não consegue. Você com certeza está muito cansado para prestar atenção em todas as letrinhas miúdas, e quando você se dá conta, sua mãe está te acordando para o jantar.
Eu fui, sem me vangloriar, uma aluna exemplar por todos os 12 anos de minha vida de estudante.
Não foi o suficiente.
8 pontos. Nunca, nunca realmente, eu pensei que 8 pontos seriam tão importantes em minha vida. Ganhei várias bolsas de escolas particulares, passei três vezes para as próximas fases das Olimpíadas de Matemática e nunca, em toda a minha vida, pensei que fazer uma prova e tirar uma nota alta não seria o suficiente.
Eu não era assim tão exemplar.
No fundo, eu sempre soube. Eu sempre odiei, secretamente, as pessoas que me elogiavam. "Ah, mas como ela é inteligente!", "Ela é o orgulho da família". E se eu não fosse?

Hoje, especificamente hoje, em toda a minha vida, eu precisei de elogios. Eu precisei de palavas carinhosas e de apoio, e hoje eu ouvi um não.
Eu ouvi um "desista". Enfático. Gritante. Decepcionante.

Meu mundo caiu.
Eu não ligo de não passar no vestibular. Eu não ligo de me faltarem 8 pontos. Eu não ligo de não ganhar presentes de natal, de não sair com minhas amigas, de não afzer viagem de formatura.

Mas ligo quando alguém me manda desistir.
Jáz aqui um sonho, um sonho bonito, que foi impossível desde o começo. Jáz aqui a singela esperança de uma criança, que olhou o mundo triste à sua volta e decidiu que tinha que fazer alguma coisa. Jáz aqui a esperança de um lugar melhor.

O sonho acabou.

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